Reflexo no papel
Esse poema reflete exatamente o que sinto. Quando li tive a sensação de ter escrito, fantástico, maravilhoso poema! Não sei quantas almas tenho Fernando Pessoa Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: "Fui eu?" Deus sabe, porque o escreveu.
Escrito por Joice Santos às 20h16
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Equilíbrio
Este é um espaço de plena liberdade que não visa compromisso com a gramática... Nem mesmo com a coerência. Quero escrever sobre o tombo, o capote, se emborrachar... O tombo é algo estranho, o desequilibro, é perder toda a capacidade de se manter de pé. Não faz muito tempo, eu cai, me vi no chão. Fui surpreendida com o adolescente empolgadissímo que trombou em mim. Enquanto caia eu pensei na queda, não vi o chão, e só acreditei que estava desmoronando quando senti o impacto. O incrível é que não me machuquei, parece que fui amortecida, como se Deus tivesse cuidado até mesmo disso, pra eu não me machucar. Me levantei e vi a fidelidade do Senhor e pensei no que significa cair. Muitas vezes eu não acreditei que iria perder e, no entanto estive sem equilíbrio, sem força, aos poucos como num movimento súbito de um garoto empolgado eu me vi no chão. Para cair, basta estar de pé... Perder o equilíbrio me fez me ver vulnerável. Quando andamos não nos damos conta de o quanto estamos firmes, com os pés sob o chão. Qualquer buraquinho ou passo em falso pode nos derrubar e até matar. Quem cai fica cauteloso com o próximo passa e percebe a segurança que há em permanecer de pé. Isso só dá temor do Senhor e enche de gratidão o coração pela fidelidade minuciosa que Deus tem.
Escrito por Joice Santos às 20h06
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O Guardador de Rebanhos Alberto Caeiro
O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto. E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como um malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para êle e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência, E a única inocência é não pensar...
Escrito por Joice Santos às 14h47
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