O Caminho
Ele estava atirado no chão. Seus cadernos estavam a sua volta e havia nele uma aparência sombria e triste. Mais uma vez sua vitalidade parece escoar pelo ralo, isso porque ele deixou o medo descontrola-lo. Alguns olhavam com pena, outros com indiferença, ninguém fazia nada. É triste ver uma planta morrer por falta de água. Aquela imagem de morte eternizou o momento de maior fracasso, seu fracasso. Ele estava no caminho e caiu. - Cuidado, só cai quem está de pé! Disse um homem previnindo os que passavam. Ele estava no caminho. O moço estava no chão do caminho. As pessoas seguiam seu trajeto, não olhavam para traz, mas alguns comentavam: - Coitado, tão moço! Outros diziam: - Bem feito! Ele deve ter procurado tropeçar, agora fica aí caidinho! Ninguém fazia nada. Para romper o fluxo dos corretos e maldizentes é preciso coragem, convicção e determinação. É preciso saber o que se tem, o que se pode e o que é. Não pode haver nenhuma crise de identidade, é preciso ser forte. Quanto tempo o moço na estrada vai esperar alguém parar e estender a mão?
Escrito por Joice Santos às 19h14
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